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  • Thiago Monaco

Na dúvida, plante!

Em todas as regiões do Brasil, é muito comum nos depararmos com essa situação: terras paradas, improdutivas, que pertencem a pessoas que possuem outra fonte de renda e que não sabem o que fazer com esse pedaço de chão, ou, simplesmente, têm medo de começar um negócio e perder tempo e dinheiro.

Aqui, valem algumas reflexões sobre o tema, que é delicado. São inúmeras as fazendas, os sítios ou os terrenos improdutivos no país. Arrisco dizer que, em área total, essas propriedades juntas ultrapassam os milhões de hectares.

Então, imagine só a quantidade dos possíveis porquês dessas terras estarem paradas. São muitos! E precisamos considerar que cada caso é um caso, único, e que deve ser tratado com toda compreensão e respeito.

Porém, dentro desses múltiplos casos, há aqueles que possuem condições para tornar a propriedade produtiva. Transformá-la em uma propriedade geradora de renda e de empregos. Produzir alimentos, educar as pessoas a partir do contato com o meio ambiente, ou qualquer outro produto ou serviço útil para a vida humana.

Nos dias de hoje, onde milhões de pessoas ainda passam fome no mundo, e questões sociais problemáticas não param de aparecer, não seria digno pensar na grande contribuição da retomada da produtividade dessas propriedades, transformadas em grandes locais produtores de comida ou grandes centros de formação de pessoas?

Ou, quando não há recurso, tempo ou disposição, que se trabalhe o mínimo nessa terra, para impulsionar a geração de vida, através de manejos de recuperação de solo, nascentes, rios e lagos, plantando árvores e estabelecendo pequenas moradas para diversos animais e plantas.

Problemas como a fome, desemprego, violência, desigualdade social, saúde, locais inadequados para moradia, poluição, dentre outros, podem ser minimizados se essas propriedades voltassem a ser habitadas e trabalhadas, gerando assim um repovoamento da zona rural. Aprendendo com erros do passado, essa ocupação do campo pode ainda ser feita de forma organizada e planejada, com calma, sem pressa e bem estruturada.

Existe um senso comum de que a vida no campo afasta as pessoas da civilização e do acesso à informação. Problemas que, se bem pensados e organizados, tornam-se, na verdade, soluções. A reconexão com a natureza é, cada vez mais, algo essencial para o ser humano, se ele quiser continuar vivendo em harmonia consigo mesmo e com o planeta.

Tornar a propriedade produtiva é um ótimo começo.

As pessoas estão acostumadas a trabalhar bastante nos grandes centros urbanos, a movimentar dinheiro para lá e para cá, a estarem sempre conectadas umas com as outras. Começar um negócio na zona rural, seja uma produção para escoar nos centros urbanos ou um serviço para funcionar na própria zona rural, é um meio para que essa constante e rotineira movimentação continue acontecendo. Afinal, você já parou para pensar que a cidade depende totalmente do campo? É de lá que vem toda (sim, toda) a matéria prima necessária para que as indústrias e comércio funcionem.

A partir daí, você vai percebendo que é possível manter as relações já existentes ainda em conexão, só que em um ritmo mais lento, mais gostoso e harmonioso. Você vai começar a reparar mais no céu, vai começar a se deparar com outros seres vivos, vai percebendo que a vida está num ritmo mais equilibrado do que aquela que se vive na cidade grande.

Muitas pessoas dizem que a agricultura proposta em Sistemas Agroflorestais é uma agricultura romântica, que não dá dinheiro. A busca por esse equilíbrio é constante, e vem movendo milhares de pessoas no Brasil e no mundo. Vivemos hoje em um mundo onde as luzes se apagam para agricultores românticos, bem como para artistas nas mais diversas áreas, para profissionais de saúde com visões mais holísticas, dentre outras profissões alternativas.

Está faltando amor na vida das pessoas. Portanto, levantamos aqui uma bandeira! Você que tem terras paradas e improdutivas, contribua para si mesmo e para o mundo: plante!

O grande pecado do ser humano não é destruir florestas, mas sim não criá-las!




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